
Existe no mercado algumas bebidas lácteas (com embalagens similares às de leite longa vida) que estão à venda e com preço bem reduzido.
Mas o valor nutricional não é o mesmo. A maior preocupação é quanto à qualidade destes produtos "substitutos" do leite. A matéria prima empregada, o processo de industrialização e conservação, a formulação e a composição nutricional são assuntos amplamente discutidos. Segundo o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), bebida láctea é o produto obtido a partir de leite , leite reconstituído e/ou derivados de leite, reconstituídos ou não, fermentado ou não, com ou sem adição de outros ingredientes, onde a base láctea represente pelo menos 51% m/m (massa/massa) do total de ingredientes do produto. A bebida láctea é composta por uma mistura sem uma composição nutricional definida.
Note-se que na base láctea é permitido o uso de derivados do leite, ou seja, soro de leite e leitelho, por exemplo. E aí está o pulo do gato. Estes e outros subprodutos produzidos em grande quantidade pela indústria láctea tinham poucas opções econômicas de uso, o que gerava uma quantidade de resíduos sem finalidade, que acabavam por transformar-se em poluidores. Com esta legislação, podem ser utilizados como produtos alimentícios.
Os problemas iniciaram quando a bebida láctea, anteriormente vendida com sabores, como chocolate e morango, começou a ser comercializada "sem sabor", em embalagens UHT (longa-vida) e em sacos plásticos idênticos à embalagem na qual o leite é vendido. Na infância, o leite e seus derivados exercem papel fundamental no crescimento e desenvolvimento. A proteína encontrada no leite, chamada de caseína, é uma proteína de alto valor biológico, ou seja, fonte de todos os aminoácidos essenciais, necessários para o crescimento e manutenção do organismo. O cálcio é um mineral importante no metabolismo ósseo e sistêmico. A infância é a fase onde o organismo absorve a maior quantidade de cálcio para crescimento e modelação óssea. A substituição errônea do leite por bebida láctea nesta fase, pode acarretar prejuízos ao crescimento normal. Nutricionalmente neste tipo de bebida, observa-se ainda uma diminuição da gordura saturada e colesterol comparada ao leite integral, só ficando acima do leite desnatado (que não é oferecido às crianças, salvo indicação específica..). Os carboidratos, por sua vez, representados pela lactose, apresentam-se em quantidades muito superiores às encontradas nos leites integral e desnatado, podendo favorecer o aparecimento da obesidade. A diminuição da quantidade de proteínas e cálcio, pode variar de 15 a 32%.
Já o sódio, apresenta aumento de até 30% em relação ao leite integral, o que pode agravar um caso de hipertensão (algumas crianças já apresentam esta patologia desde cedo...) As diferenças que podem ser encontradas neste caso são:
Leite integral contém leite integral e estabilizante citrato de sódio.
Bebida láctea: contém leite, leite em pó, soro de leite e estabilizante citrato de sódio;

Sem dúvida o aproveitamento dos subprodutos da indústria láctea é um progresso que merece elogios, mas um maior cuidado na comercialização se faz necessário, para que os direitos dos consumidores sejam preservados. Uma boa estratégia é realizar programas de esclarecimentos com especialistas tendo como público alvo os consomidores e/ou comerciantes, objetivando evitar este tipo de erro. Como sempre, vale a pena olhar e analisar os rótulos dos produtos tanto infantis como de uso adulto.


